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COMO TREINAR TRANSIÇÕES E COMPORTAMENTOS EMOCIONAIS NO FUTEBOL

  • 3 de mar. de 2017
  • 3 min de leitura

Como treinador ou como adepto gostamos de ver equipas que pressionam rapidamente assim que perdem a bola ou que acelerem o jogo logo após o momento que recuperam a posse de bola entrando em contra-ataques rápidos. Gostamos de atitude, gostamos de emoção.

Com este artigo pretendo falar um pouco de como desenvolver estes aspectos em treino.

No decorrer deste exercício de Pep Guardiola no Bayern Munique reparamos que os jogadores vão realizando diferentes acções ao longo de um contínuo, obrigando-os assim a ter que constantemente modificar tanto o foco como a atenção. Não ficam a trabalhar somente uma situação, não utilizam somente um tipo de informação, tem que estar constantemente a adaptar-se para terem sucesso nas tarefas. Realizar um remate, de imediato pensar que tenho que me dirigir para um local específico, realizar um sprint, depois uns saltos, mudanças de direcção, receber, passar, desmarcar-me e receber novamente a bola para rematar e de seguida ir novamente para outro local previamente definido é algo que a nível individual é bastante complexo e tem que ser treinado.

Dos aspectos mais importantes no futebol são as transições entre momentos, entre acções. Quando um jogador tenta ultrapassar outro em drible e fica sem a bola é importante que esteja em condições de pressionar de imediato o adversário. Perder a bola e ficar quieto é muito mais comum no futebol do que muitos treinadores desejam. Mas para isso é necessário treinar estas nuances do jogo, não vai lá somente com explicações, com o entender o jogo de forma racional.

Uma transição é um comportamento, uma passagem de um momento para outro, o estar a executar uma determinada técnica e passar para outra, o estar focado em determinada informação e rapidamente se focar noutra.

Quanto mais rápido nestas passagens, chamadas transições, mais rápido um jogador se torna.

A problemática é que estas questões tem que ser treinadas de uma forma muito específica, estas pouco tem a ver com conhecimento racional, com o conhecimento do jogo.

Treinar transições implica que os jogadores consigam reagir emocionalmente a determinados estímulos. O perder a posse de bola é um estímulo que tem que estar ligado, emocionalmente, ao pressionar de imediato. Digo-o emocionalmente porque este tipo de comportamento, muito ligado à sobrevivência do ser humano, é um comportamento muito mais rápido que o comportamento chamado racional ou pensado.

No percurso que vemos em cima, os jogadores estão a habituar-se analisar e interagir com diversos estímulos num curto período de tempo. É essencial que os jogadores tenham esta plasticidade, esta capacidade de agir/reagir a diferentes informações num curto espaço de tempo para que estejam capacitados para interagir com a imprevisibilidade do jogo.

Por exemplo:

Ligar um remate a ter que ir fazer um sprint é algo que alguns treinadores podem desejar para os seus jogadores. Com o treino e a repetição, o corpo do jogador começa a antecipar o movimento seguinte, interiorizando-o emocionalmente. No momento que está a fazer o remate o seu corpo começa a antecipar, especialmente a nível muscular, a passagem rápida para um sprint, tornando-o rápido.

Se a esta transição o treinador ligar um berro, por exemplo um "vai rápido", a ligação emocional é ainda mais forte. O berro funciona como um sinal de alerta para o ser humano, levando-o a ficar mais atento à informação presente no momento em que este aparece. Funciona como amplificador da atenção do jogador.

A associação de certos estímulos ameaçadores, como o berro, com um determinado estímulo que se deseja, neste caso o transitar rapidamente para outro tipo de acção, torna o jogador mais rápido. Mas nem todos os estímulos ameaçadores são bons para o rendimento do ser humano no futebol, há que saber geri-los, mas penso que isso seja de senso comum.

Para exemplificar este efeito de ligar um estímulo a um determinado comportamento desejado, basta observar como Diego Simeone interage com os seus jogadores num exercício elaborado para modificar a atitude destes, o pressionar a todo o momento. Os jogadores estão sempre a levar feedback, de forma mais agressiva, com o elevar da voz, tendo um efeito nos jogadores de estarem mais atentos ao que acontece naquele momento. Quando parece que vão parar reagem rapidamente e vão pressionar novamente, mesmo quando as pernas não podem mais. Quem já fez este tipo de exercício sabe bem do que falo.

Estas questões emocionais e das transições são muito importantes para o jogo de futebol, há que tentar desenvolvê-las para que os jogadores consigam interagir com o jogo de forma mais eficaz e com maior sucesso.


 
 
 

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